1 de dezembro de 2012

Natal gordo do e-commerce exige cuidados do consumidor


Por James Della Valle

Lojas tentam melhorar serviço, mas atrasos e falhas em entregas seguem em alta. Além disso, há as ameaças virtuais, que se multiplicam nessa época

O comércio eletrônico brasileiro atravessa uma fase animadora. Espera-se que o segmento movimente 23 bilhões de reais neste ano, uma evolução de cerca de 23% em relação ao valor de 2011. O Natal 2012 deve exibir número ainda mais exuberante: crescimento de cerca de 45% nas vendas de novembro e dezembro em comparação com o mesmo período do ano passado.

Imagem: Divulgação


Assim, segundo estimativa da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), as vendas devem bater em 3,76 bilhões de reais. As cifras, porém, não devem eliminar a cautela dos consumidores. Afinal, persistem problemas de logística no varejo on-line nacional, sites de má qualidade e ameaças virtuais típicas dessa temporada.

Atraso nas entregas segue como a reclamação mais comum de consumidores que adquirem produtos pela web, como comprovam dados do Procon-SP. Os números podem ser vistos como uma amostragem dos problemas existentes, já que nem todas as pessoas apresentam queixa. Em 2010, foram registradas pouco mais de 8.000 reclamações relativas a falha ou demora na entrega, cifra que saltou para 20.000 no ano passado. No primeiro semestre deste ano, já são 8.669 ocorrências, o que indica uma tendência ruim: como as vendas do varejo tendem a registrar aquecimento no segundo semestre, é possível que as queixas se igualem às registradas no ano passado.

As principais queixas dos consumidores

1º Falha ou demora na entrega
2º Produto entregue com dano ou defeito
3º Demora no cancelamento da compra
4º Cobrança indevida ou abusiva
5º Descumprimento de parte do contrato
Fonte: Procon-SP


Os analistas, contudo, acreditam que há sinais de melhora no segmento. Paulo Arthur Góes, diretor executivo do Procon-SP, afirma que a elevação do número de queixas em 2011 foi fruto de dificuldades do segmento surgidas no ano anterior. "Os departamentos de logística dessas companhias não estavam preparados para atender a demanda. 

Apesar disso, as empresas seguiam estimulando o consumidor com ofertas", diz Góes. O mercado, segundo o diretor do Procon, atacou o problema, não exatamente na raiz, preparando-se para realizar operações de rescaldo quando necessário. "As lojas estão mais preparadas para resolver contratempos à medida que eles apareçam", diz Góes.

Pedro Guasti, diretor geral da consultoria e-bit, faz uma leitura semelhante: "As empresas investem no atendimento e logística para minimizar o impacto dos erros da operação – que, na minha visão, são inevitáveis."

A despeito das melhorias, não vale a pena correr riscos. Os especialistas recomendam realizar as compras de Natal até o dia 10 de dezembro, no máximo. Depois disso, as chances de o presente chegar depois da passagem de papai Noel são grandes demais.

Outras orientações são igualmente obrigatórias para quem se prepara para sair às compras com um computador (tablet, smartphone...) na mão. Mauricio Salvador, presidente da ABCOmm, recomenda jamais deixar de lado a pesquisa sobre a reputação das lojas. "Procure informações em mecanismos de busca e redes sociais que permitam aferir a reputação dos estabelecimentos." O procedimento evita dores de cabeça de dois tipos: adquirir produtos de um fornecedor ruim e entrar em contato com ameaças virtuais. Basta um deles para tornar o Natal um pouco menos feliz.