1 de novembro de 2012

Por que compramos por impulso


Da revistaepoca - Gustavo Cerbasi

Imagem: Divulgação
Quem não adora fazer uma comprinha para quebrar a rotina e se sentir mais feliz? Consumir é um ato de prazer. Porém muitos pagam um alto preço pelo consumo por impulso. Não raro, guarda-roupas estocam roupas e sapatos sem uso, estantes acumulam livros não lidos e filmes não assistidos e alimentos com data de validade vencida. Férias, eletrônicos, automóveis e outros itens de padrão superior ao que cabe no bolso das famílias as fazem acumular dívidas. São exemplos de dinheiro desperdiçado que diminuem o poder de compra.

É possível driblar essa impulsividade se você estiver consciente sobre os dois principais motivos que nos levam a perder o controle: o represamento de vontade e a falta de objetivos claros.

O represamento de vontade ocorre quando alguém não prioriza, em seu orçamento, dinheiro para itens importantes em sua qualidade de vida e realização pessoal, como estar na moda ou sair com amigos. Sem estabelecer prioridade, destina-se uma verba maior para itens menos recompensadores, como a moradia, o carro e a escola das crianças. Adota-se um estilo de vida que limita a aquisição do que traria prazer.

A vontade vai ficando represada, incentivando nosso cérebro a defender-se da escassez. Depois de certo tempo, qualquer oportunidade de consumo se torna uma escolha impulsiva. É nosso cérebro pedindo para tirar o atraso e também para adiantar o consumo, como forma de se prevenir contra a falta. A solução? Ir mais vezes às compras, destinar recursos ao consumo regular do que é importante e diminuir a verba para outros itens.

Ter objetivos é outra forma de conter a impulsividade. Por não tirar um tempo para organizar suas vidas e fazer planos, muitos se frustram e não entendem exatamente por quê. Para quem não consegue obter realização cotidiana por outros meios, o prazer das compras é uma válvula de escape.

Quanto menos felizes com a vida, mais carentes e propensos a ceder aos estímulos de marketing ficaremos. Quando uma mulher sai de uma loja com cinco pares de sapatos, pode ser que a necessidade não sejam os sapatos, mas o prazer de se ver bela, bem atendida e cuidando de si. Não precisava de sapatos, mas sim da compra. Se tivesse algum grande motivo para dizer não a um instante de prazer, provavelmente agiria menos por impulso. Quem está poupando para as férias dos sonhos terá o mesmo apetite diante de uma vitrine? Provavelmente, não.

Antes de culpar seu parceiro ou seus filhos pela propensão a comprar supérfluos, que tal conversarem sobre sonhos? Façam planos, corram atrás deles. Curtam mais a vida, para que o prazer das compras fique pequeno diante do resto.