Da revistaepoca - Gustavo Cerbasi
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| Imagem: Divulgação |
Quem
não adora fazer uma comprinha para quebrar a rotina e se sentir mais feliz?
Consumir é um ato de prazer. Porém muitos pagam um alto preço pelo consumo por
impulso. Não raro, guarda-roupas estocam roupas e sapatos sem uso, estantes
acumulam livros não lidos e filmes não assistidos e alimentos com data de
validade vencida. Férias, eletrônicos, automóveis e outros itens de padrão
superior ao que cabe no bolso das famílias as fazem acumular dívidas. São
exemplos de dinheiro desperdiçado que diminuem o poder de compra.
É
possível driblar essa impulsividade se você estiver consciente sobre os dois
principais motivos que nos levam a perder o controle: o represamento de vontade
e a falta de objetivos claros.
O
represamento de vontade ocorre quando alguém não prioriza, em seu orçamento,
dinheiro para itens importantes em sua qualidade de vida e realização pessoal,
como estar na moda ou sair com amigos. Sem estabelecer prioridade, destina-se
uma verba maior para itens menos recompensadores, como a moradia, o carro e a
escola das crianças. Adota-se um estilo de vida que limita a aquisição do que
traria prazer.
A
vontade vai ficando represada, incentivando nosso cérebro a defender-se da
escassez. Depois de certo tempo, qualquer oportunidade de consumo se torna uma
escolha impulsiva. É nosso cérebro pedindo para tirar o atraso e também para
adiantar o consumo, como forma de se prevenir contra a falta. A solução? Ir
mais vezes às compras, destinar recursos ao consumo regular do que é importante
e diminuir a verba para outros itens.
Ter
objetivos é outra forma de conter a impulsividade. Por não tirar um tempo para
organizar suas vidas e fazer planos, muitos se frustram e não entendem
exatamente por quê. Para quem não consegue obter realização cotidiana por
outros meios, o prazer das compras é uma válvula de escape.
Quanto
menos felizes com a vida, mais carentes e propensos a ceder aos estímulos de
marketing ficaremos. Quando uma mulher sai de uma loja com cinco pares de
sapatos, pode ser que a necessidade não sejam os sapatos, mas o prazer de se
ver bela, bem atendida e cuidando de si. Não precisava de sapatos, mas sim da
compra. Se tivesse algum grande motivo para dizer não a um instante de prazer,
provavelmente agiria menos por impulso. Quem está poupando para as férias dos
sonhos terá o mesmo apetite diante de uma vitrine? Provavelmente, não.
Antes
de culpar seu parceiro ou seus filhos pela propensão a comprar supérfluos, que
tal conversarem sobre sonhos? Façam planos, corram atrás deles. Curtam mais a
vida, para que o prazer das compras fique pequeno diante do resto.

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