Ela
foi da delicadeza dos palcos do balé ao ritmo frenético de uma redação. Ana
Paula Padrão poderia ter se tornado bailarina, mas foi fisgada pelo Jornalismo.
Uma escolha acertada, segundo ela. Hoje, a jornalista é uma das mais destacadas
profissionais brasileiras no ramo. Já trabalhou como correspondente
internacional e se notabilizou na cobertura de guerras e conflitos. Atualmente
é âncora do Jornal da Record, na emissora de mesmo nome.
A
decisão pelo Jornalismo
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| Imagem: Divulgação |
A
escolha da profissão para Ana Paula Padrão não foi nada simples. Dançou balé
dos seis aos 19 anos e, neste meio tempo, também deu aulas como bailarina. A
experiência serviu para que ela visse que ser professora não era a praia dela.
A decisão pelo Jornalismo veio apenas na hora de preencher a ficha de inscrição
para o vestibular da Universidade de Brasília (UnB), sua cidade natal. Ana
Paula sabia que queria algo na área de Humanas. Gostava de escrever, contar
histórias e queria uma profissão que lhe possibilitasse conhecer o mundo, mas
até o dia da inscrição, o Jornalismo não parecia ser uma opção tão óbvia. “A escolha foi no último minuto. Acabei vendo
que muito do que gostava estava relacionado à carreira”, conta.
Já
na faculdade, começou a estagiar na Rádio Nacional, como produtora. E logo,
começou a escrever reportagens econômicas, como freelancer, para a revista
Senhor, atual Isto É. E, como a própria jornalista diz, talvez sua vida não
tivesse tomado o rumo que tomou, não fosse a sua passagem pelo veículo. “Foi o
editor-chefe da revista que insistiu para que eu mandasse um vídeo para a TV.
Dizia que eu tinha voz e rosto para televisão”, explica Ana Paula. Sem saber
ainda se daria certo, ela fez um teste para a TV Brasília. Passou, mas ficou
por lá apenas cinco meses, porque logo recebeu um convite para trabalhar na
Rede Globo.
Tímida,
não imaginava que acabaria trabalhando no meio jornalístico que mais expõe o
jornalista. “Não sabia que queria fazer televisão”, revela Ana Paula, que
aprendeu a trabalhar com a timidez aos poucos, já que precisaria aparecer
muitas vezes em rede nacional. “Sempre lidei bem com câmeras, diferente de uma
plateia ao vivo. Se preciso falar uma hora na frente de uma câmera, eu falo,
mas para falar na frente do público, fico nervosa, tenho insônia…”. Mas a
experiente jornalista garante que é tudo uma questão de enfrentar o medo. Fica a
dica se você é um pouco tímido: não desista do Jornalismo só por isso!
Na
Rede Globo, começou no telejornal local e foi crescendo aos poucos. Fez
coberturas internacionais e virou correspondente em Londres e, depois, em Nova
York, acabando por realizar seu sonho de criança: conhecer o mundo. “Voltei
para o Brasil porque recebi um convite irrecusável, que era assumir a bancada
do Jornal da Globo”, conta. Depois de quase cinco anos a frente do jornal,
mudou de emissora em 2005 e foi para o SBT, onde comandou o telejornal SBT
Brasil e, em 2007, o programa SBT Realidade, com o qual pode fazer reportagens
especiais pelo mundo. Desde 2009 está no
Jornal da Record como âncora.
O
dia a dia da profissão
Vida
de jornalista não é tão recheada de glamour como muitos estudantes pensam. É
uma rotina pesada, que pode chegar a muitas horas de trabalho, mas que, segundo
Ana Paula Padrão, tem suas recompensas: “o nobre da profissão é contar uma boa
história e ser compreendido pela pessoa para quem sua matéria é dirigida. Não
tenho nenhuma dúvida, gosto de fazer reportagem, que é a grande nobreza da
profissão”. Hoje, apesar de estar na
bancada, a jornalista ainda sai algumas vezes para fazer matérias.
Como
ela disse, é preciso estar sempre atrás de boas histórias para contar. O
jornalista é o profissional da notícia. Ele investiga e divulga fatos e
informações de interesse público, redige e edita reportagens, entrevistas,
artigos, adaptando o tamanho, a abordagem e a linguagem dos textos ao veículo e
ao público a que se destinam.
Cada
área do Jornalismo – impresso, rádio, internet e televisão – tem as suas
peculiaridades. No jornal diário
televisivo, Ana Paula explica que tudo começa com a reunião de pauta, entre os
editores da sede do jornal com as praças, as cidades de onde vêm as matérias.
“Você conversa com todos os editores para saber o que está acontecendo no
Brasil e no mundo. A partir daí é montada a pauta de notícias para o dia, que
são as reportagens que o jornal terá. É claro que isso muda muito, porque podem
acontecer muitas coisas durante o dia. Por isso é importante ter vários
editores acompanhando o jornal”, explica a apresentadora. E ela continua:
“Conforme os editores começam a receber as matérias, eles escrevem as cabeças
(pequeno texto que introduz o vídeo no telejornal), que, no meu caso, é onde eu
participo mais, ajudando a escrever, o que faz mais sentido, já que sou eu (a
âncora) quem vai falar esses trechos”. Depois de todo esse processo o jornal
vai ao ar.
Como
ser um bom jornalista
A
primeira recomendação que Ana Paula Padrão dá para quem quer ser um bom
jornalista é ter certeza de que é essa profissão que quer seguir. “Se for o que
você quer, você vai saber, porque está na veia”, brinca. Mas ela sabe que nem
sempre a escolha é fácil: “Acho uma crueldade pedir para uma pessoa de 16 anos
falar o que quer fazer. Tive muita sorte porque escolhi uma profissão que amo
profundamente, que era a minha vocação”, conta.
Ana
Paula reforça esse ponto, da paixão pela profissão, porque isso é importante na
hora de enfrentar os desafios do Jornalismo, como, por exemplo, o mercado de
trabalho altamente competitivo. “É uma profissão de muitos sacrifícios. Você
pode estar de férias, mas você precisa cobrir um acidente que está acontecendo
ao seu lado. É igual médico, você é jornalista 24h”, diz.
Para
chegar aonde chegou, a jornalista explica que foi preciso tempo e muito
trabalho para adquirir experiência. “O estudante sonha com a carreira e acha
que vai chegar muito rápido ao topo. Para ser bom jornalista, é preciso ser um bom
contador de histórias e isso só o tempo dá. Não adianta, ninguém consegue
contar uma linda história com apenas 20 anos. É preciso ter paciência e
trabalhar muito”, explica Ana Paula Padrão.

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